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    COP30: O Brasil no centro da agenda climática e o que aprendemos em Belém 

    1 de dezembro de 2025
    4 min de leitura
    DEEP EXPERTS
    COP30: O Brasil no centro da agenda climática e o que aprendemos em Belém 

    Por Arthur Covatti, CEO e Cofundador da DEEP

    A COP30 foi uma grande confirmação da forma como percebemos o papel que o Brasil e nós, como empresa de tecnologia, devemos ocupar no conjunto  global da ação climática – que requer a presença de novos atores.

    Em Belém, tivemos  a confirmação de uma tese que defendemos desde o momento que fundamos a DEEP: de que sem uma mensuração real e efetiva dos impactos, não poderemos falar de uma transição climática com alcance global. Uma transição que nos leve a decisões possíveis de serem pensadas em termos de inovação em implementação.  O Brasil tem capacidade técnica para isso e competência para liderar essa agenda no mundo. 

    Ver essa tese sendo articulada na principal conferência climática do planeta, diante de governos, bancos multilaterais, grandes empresas, cientistas, povos tradicionais e instituições internacionais, foi perceber que o que estamos construindo já ultrapassou a barreira da promessa, virou parte de uma infraestrutura global e interconectada. Um esforço coletivo do qual decidimos também ser protagonistas  e não apenas uma pequena parte.

    A aprovação dos Indicadores Globais de Adaptação, por exemplo, foi um símbolo claro dessa transformação. Reduzir centenas de métricas possíveis a um conjunto enxuto, pragmático e aplicável pode colocar o mundo em um novo patamar de comparabilidade e responsabilidade com as ações de mitigação de risco. Isso tem um impacto profundo para governos, empresas, bancos e instituições, porque finalmente cria uma linguagem comum para lidar com o risco climático. 

    O mesmo vale para as decisões relacionadas ao Artigo 6, que, embora ainda enfrentem divergências, caminham para uma maior transparência e integridade. O encerramento do MDL, os novos prazos de migração e a exigência crescente de governança sobre créditos sinalizam uma guinada que já vínhamos antevendo: o mercado de carbono só será sustentável se for mensurável, rastreável e verificável. 

    Na prática, o mundo está apertando o cerco contra a falta de integridade e isso abre espaço para mais inovações tecnológicas, metodologias e soluções que garantam confiança nas esferas de decisão. Entra aí, novamente, a importância daquilo que empresas como a DEEP fazem.

    Dois movimentos marcaram a nossa participação: o projeto nacional com a ANAMMA, apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente e pela CNBB, e a parceria com a FEBRABAN. No primeiro, levamos à COP uma iniciativa que coloca todos os municípios brasileiros dentro da agenda de mensuração e planejamento climático. Municípios são o elo mais próximo da sociedade; são onde os eventos extremos acontecem, onde as políticas públicas se materializam e onde a adaptação é realmente testada. 

    No segundo, apresentamos o trabalho com a FEBRABAN. Construir, em conjunto com o sistema bancário, uma base padronizada de fatores de emissão para o cálculo de emissões financiadas é posicionar o país em outro patamar de rigor técnico. Talvez com a exceção do sistema financeiro europeu, que de certo modo financiou o PCAF como um todo). Esse trabalho, inclusive, dialoga diretamente com as decisões da COP sobre financiamento climático e integridade e, de forma muito clara.

    Ao final da conferência, saí com uma leitura muito clara sobre os rumos da agenda climática: entramos na era da implementação. A fase das metas ficou para trás; agora é a fase das métricas. E isso muda tudo, muda a maneira como os governos passaram a ter que planejar seus compromissos com essa agenda, como empresas irão realizar suas divulgações a mercado, como bancos irão financiar essas empresas, como cidades serão levadas a repensar suas políticas e planos diretores, como o mercado regulará, como o crédito operará numa economia climática global e, enfim, como o mundo finalmente poderá comparar esforços entre todas essas mudanças e adaptações.

    Voltamos da COP sabendo que aquilo que defendemos, a centralidade dos dados, não é mais uma tese; é a nova regra do jogo. Voltamos com o sentimento de que o país (e o mundo) precisa cada vez mais da nossa tecnologia, da nossa metodologia e do nosso compromisso. E, acima de tudo, voltamos com a convicção de que este é apenas o começo de uma nova etapa.

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