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    Descarbonização como Estratégia nas empresas: Preparando-se para o Amanhã

    19 de fevereiro de 2025
    5 min de leitura
    DEEP EXPERTS
    Descarbonização como Estratégia nas empresas: Preparando-se para o Amanhã

    Escrito por Potira Manauara Souza Melo

    Diante da crescente preocupação global com as mudanças climáticas, as empresas e indústrias têm um papel central nas emissões de gases de efeito estufa. Alcançar as metas globais, como as estabelecidas no Acordo de Paris, depende diretamente da descarbonização dessas organizações. Com um plano estratégico bem estruturado e metas claras, as empresas podem não apenas reduzir significativamente suas emissões, mas também liderar a transição global rumo a uma economia de baixo carbono.

    Dados revelam que, entre 2016 e 2022, 80% das emissões globais foram atribuídas a apenas 57 organizações, incluindo corporações privadas e estatais. Esses números ressaltam a importância de ações concretas por parte dessas organizações para mitigar seus impactos ambientais e contribuir de maneira decisiva para o combate às mudanças climáticas.

    O que é descarbonização e qual a sua importância para sua empresa?

    Segundo a United Nations Development Programme (UNDP), descarbonização é o processo de  reduzir a quantidade de emissões de gases de efeito estufa que uma sociedade produz, além de aumentar a quantidade absorvida. Isso envolve mudar muitos, senão todos, os aspectos da economia, desde como a energia é gerada, até como bens e serviços são produzidos e entregues, como prédios são construídos e como terras são gerenciadas. 

    Além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, a descarbonização das empresas pode gerar diversos benefícios ambientais e econômicos tais quais: 

    1. Conformidade com regulamentações e vantagem competitiva:

    Com o fortalecimento das metas globais para a redução das emissões de carbono, as regulamentações ambientais têm se tornado cada vez mais rigorosas exigindo das empresas uma adaptação à nova realidade. Organizações que não se adequam a essas exigências podem enfrentar penalidades e restrições operacionais e comerciais. Por outro lado, aquelas que antecipam e adotam estratégias de descarbonização garantem não apenas conformidade, mas também conquistam uma vantagem competitiva, ao mesmo tempo que protegem seus resultados financeiros.

    Um exemplo significativo é o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), um mecanismo de taxação aduaneira adotado pela União Europeia, que aplica tarifas sobre produtos importados de países que não possuem controles rigorosos sobre emissões de carbono. Esse sistema busca estabelecer um preço justo para o carbono emitido durante a produção de bens com alto impacto ambiental, além de estimular a produção industrial mais limpa em países fora da UE.

    No Brasil, destaca-se a Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024, que criou as bases para um mercado regulado de carbono. Esse mercado estabelece metas de redução de gases de efeito estufa (GEE) para diversas atividades econômicas, permitindo que empresas que não alcancem suas metas comprem permissões de emissão de outras que estejam abaixo dos limites estipulados. Esse mecanismo promove a adoção de práticas produtivas mais limpas e eficientes, criando um incentivo financeiro para empresas que investem em tecnologias de baixo carbono. Ao mesmo tempo, organizações que não se adequarem estarão sujeitas a custos adicionais, reforçando a urgência de adaptação às novas exigências do mercado.

    1. Redução de custos:

    A transição para fontes de energia renovável e a adoção de medidas para aumentar a eficiência energética podem gerar uma redução expressiva nos custos operacionais a longo prazo. Isso inclui diminuição do consumo de energia, redução de gastos com manutenção e menor desperdício de materiais. 

    1. Fortalecimento da imagem da empresa:

    A descarbonização vai além da conformidade e redução de custos, contribuindo diretamente para o aumento do valor da marca. Consumidores e clientes corporativos estão cada vez mais exigindo responsabilidade climática, preferindo e recompensando empresas comprometidas com a sustentabilidade. Organizações alinhadas a esses valores podem se beneficiar de incentivos fiscais, subsídios governamentais e financiamentos verdes, que fortalecem ainda mais sua competitividade.

    Etapas essenciais para iniciar a descarbonização

    1. Medir e avaliar suas emissões 

    O primeiro passo para a descarbonização é medir e mapear o perfil das emissões de gases de efeito estufa provenientes tanto das operações internas quanto da cadeia de valor da empresa. Essa análise, permite identificar as principais fontes de emissões e oportunidades de descarbonização, ou seja,  áreas onde as ações podem gerar maior impacto na redução das emissões.

    1. Definição de Metas de Redução

    Após medir emissões é possível estabelecer metas claras e realistas de curto, médio e longo prazo, além de priorizar iniciativas estratégicas que resultem em uma abordagem assertiva para a gestão energética e a redução de emissões.

    1. Desenvolver e Implementar Estratégias de Redução

    Com as emissões mapeadas e metas definidas, o próximo passo é desenvolver e implementar estratégias práticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Isso inclui:

    • Adoção de energias renováveis: Substituir fontes de energia fóssil por alternativas como solar, eólica ou biomassa.
    • Melhoria da eficiência energética: Identificar e corrigir ineficiências nos processos operacionais, além de investir em tecnologias e equipamentos mais eficientes.
    • Economia circular: Integrar práticas como redução de desperdícios, reutilização de materiais e reciclagem em todas as etapas do processo produtivo.
    • Implantar projetos de remoção de carbono da atmosfera.
    • Transformação da mobilidade: Substituir combustíveis fósseis por biocombustíveis, incentivar frotas elétricas ou híbridas e promover meios de transporte sustentáveis.
    • Envolvimento da cadeia de valor: Trabalhar em colaboração com fornecedores e parceiros para reduzir emissões ao longo de toda a cadeia produtiva.
    • Essa etapa demanda planejamento detalhado, recursos adequados e o engajamento de todas as áreas da empresa para garantir que as ações sejam eficazes e alinhadas aos objetivos definidos.

    A descarbonização não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma oportunidade estratégica para as empresas se destacarem em um mercado cada vez mais exigente e consciente. Ao medir emissões, definir metas claras e implementar ações concretas, as organizações não apenas reduzem seu impacto ambiental, mas também se tornam mais eficientes, inovadoras e resilientes.

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