Entrevista com Paulo Miranda para Report ESG 2022 / Snaq

A Snaq, plataforma de conteúdo sobre inovação startups e tecnologia, acaba de lançar o Report ESG 2022. 

Produzido entre agosto de 2022 e março de 2023, o relatório traz uma análise sobre a evolução do ESG e um panorama no Brasil. 

A DEEP está no mapeamento das principais startups do segmento de ESG Techs no Brasil e também nas entrevistas com especialistas. 

A seguir, a íntegra da entrevista exclusiva concedida pelo Cofundador e CSO da DEEP, Paulo Miranda, para a Snaq: 

1 – É difícil gerenciar aquilo que não é medido. Quando se fala em ESG, pela amplitude de assuntos e complexidade dos impactos, escolher indicadores adequados para cada negócio e medi-los de forma correta é muito desafiador. Como a DEEP ajuda a solucionar isso?

R: Tudo o que fazemos produz impacto! Criamos a DEEP porque acreditamos que é possível medir o impacto em escala global, ajudando empresas a moldar suas estratégias de impacto e metas ESG, e isso nos move profundamente. 

A DEEP mede em tempo real os impactos das empresas. Estamos sempre criando novos métodos e tecnologias para identificar e medir impactos sociais e ambientais em todo o mundo, e garantir que gestores de ativos e de empresas e organizações possam tomar decisões com maior alcance, embasadas na confiabilidade das análises (e divulgações) dos seus impactos. 

Nossas plataformas são totalmente integradas (sem coleta manual de dados), automatizadas e se estendem às cadeias de fornecedores. A qualquer tempo, geram análises detalhadas e auditáveis, em conformidade com os principais frameworks e standards do mundo.

 

2 – Quais são os principais desafios ESG das empresas brasileiras hoje?

R: A economia brasileira está inserida em muitos mercados e, portanto, nossas empresas estão cada vez mais expostas aos efeitos da agenda global ESG. 

Ajudamos empresas a se prepararem para responder seus desafios em ESG. E não me refiro apenas às grandes, mas também a empresas como uma de médio porte de logística inserida em uma cadeia global; um banco sujeito a exigências regulatórias sobre riscos climáticos; ou uma empresa do varejo demandada por consumidores em relação a suas práticas de impacto social, por exemplo.

 

3 – O que vocês recomendam para as empresas que querem começar a medir o seu impacto ambiental, social e de governança? 

R: Comecem logo! É uma questão de tempo para que o que hoje ainda é uma opção se torne mandatório. É crescente a demanda por informações confiáveis e comparáveis que mostrem como as empresas estão lidando com as divulgações ESG. 

Para facilitar os primeiros passos na jornada ESG das empresas, lançamos o DEEP Start, que gera inventários de emissões em conformidade com o GHG protocol, em poucos cliques e de forma automática, e agora estamos cada vez mais capacitando nossos clientes com materiais e cursos sobre esses temas. 

Além da consciência de que cada impacto importa e da urgente necessidade de neutralizar impactos ambientais e entender mais sobre a biodiversidade, é fundamental que os gestores tenham em mente que os compromissos ESG influenciam cada vez mais suas relações com investidores, contratantes/compradores, consumidores e até colaboradores. 

 Temos um caso recente bastante interessante: um dos nossos primeiros clientes resolveu fazer um inventário de carbono por convicção quanto à sua importância. Quando surgiu a oportunidade de participar de uma concorrência que poderia levá-lo a dobrar de tamanho, viu que o tal inventário era um pré-requisito para a participação. Felizmente, tinha se adiantado, conseguiu participar, e ganhou a concorrência. 

 

4 – Casos de greenwashing têm gerado desconfiança de programas ESG. Recentemente, uma reportagem da Reuters colocou rastreadores em itens doados ao programa de reciclagem da Dow Chemical – que supostamente transformaria calçados com sola de borracha em pistas de corrida e playgrounds – e descobriu que parte dos tênis estavam sendo enviados para venda second-hand na Indonésia. Como uma estratégia de indicadores e mensuração transparente podem colaborar para evitar esse tipo de prática?

R: De fato, isso é um grande desafio no momento. Um dos antídotos mais eficazes contra o greenwashing é justamente a mensuração dos impactos de forma profunda, transparente e rastreável. 

O atual arcabouço regulatório deverá forçar as empresas – e também os gestores de ativos – a adotar soluções cada vez mais robustas para lidar com a necessidade de tornar mais eficazes os efeitos das divulgações ESG, com mais transparência e confiabilidade.

Hoje, na DEEP, temos clientes que estão totalmente comprometidos com as consequências de gerir as emissões em sua cadeia de valor, influenciando assim fornecedores e clientes, trazendo maior consistência, transparência e um diálogo direto com todos os seus stakeholders. 

 

5 – Quais as principais tendências em inteligência de dados para ESG em 2023?

R: A DEEP é uma empresa de dados, que desenvolve metodologias sofisticadas para a mensuração dos impactos. 

Para irmos além das divulgações ESG, tomemos, por exemplo, o mercado para as emissões de instrumentos financeiros como os chamados SLBs (Sustainability Linked Bonds). Dados recentes da Environmental Finance mostram que a emissão de SLB saltou mais de 10 vezes de 2020 para 2021 – passando de US$8,8 bilhões para mais de US$93 bilhões. E esse número continuou crescendo em 2022. Isso mostra que há uma necessidade gigante de lidar com mais inteligência de dados. 

Há uma forte crença nos agentes financeiros sobre a necessidade de lidar com dados mais "profundos" e confiáveis para as emissões destes instrumentos. Na DEEP, temos uma equipe de metodologia que estuda essa questão associada aos dados dos inventários e aos métodos estatísticos para lidar com possíveis incertezas. No ano passado, publicamos um artigo científico na revista Carbon Management que trata desse assunto.

Creio que o mercado como um todo precisará desenvolver melhores datasets e métricas para segmentos para os quais ainda não há dados suficientes ou para setores de maiores riscos e impactos, sejam climáticos, de biodiversidade, sociais ou mesmo de governança.

 

Para ter acesso à íntegra do relatório, acesse https://www.snaq.co/

 

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