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    Como os modelos ágeis e o Kanban apoiam o ESG

    30 de maio de 2025
    6 min de leitura
    DEEP EXPERTS
    Como os modelos ágeis e o Kanban apoiam o ESG

    Por Filipe Pacheco

    É  inegável que o ESG (Ambiental, Social e Governança)  vem ganhando cada vez mais relevância entre indivíduos e empresas,  tornando-se um fator decisivo em muitas escolhas e estratégias.

    Uma das razões que me conectou ao tema, para além do seu propósito, foi sua relação direta com eficiência. Ao estudar e aplicar metodologias ágeis metodologias ágeis, como por exemplo, o Método Kanban, percebi um potencial surpreendente de conexão entre  eficiência operacional e as práticas de ESG.

    Neste artigo, compartilho minha visão de como a adoção de práticas ágeis, especialmente aquelas presentes no Kanban, podem transformar o modo como trabalhamos.  Baseio-me na premissa de que eficiência e ESG caminham juntas.

    Desenvolvimento Ágil e ESG

    O meu intuito aqui não é explicar detalhadamente o que é o Kanban ou como ele permite identificar e implementar algumas das práticas que vou mencionar. Para isso, conto com o apoio de inúmeros artigos, palestras e conteúdos já produzidos, além de cursos e materiais oficiais disponíveis.  Recomendo que você acesse os links de referências sempre que precisar se aprofundar em algum conceito mencionado.

    O que pretendo , com base em exemplos práticos, é oferecer um caminho que permita, com o apoio desses materiais,  a implementação de algumas práticas no dia a dia.Para isso, dividi os exemplos em dois pilares: Método, mais relacionado ao processo, e governança, ligado a ideia de eficiência.

    Método - Descobrindo como fazer mais com menos 

    Dentro dos princípios básicos do Método Kanban (vide site), encontram-se diretrizes como os ciclos de feedback, melhoria colaborativa, começar com o que tem e perseguir a melhoria contínua. Essa mentalidade "enxuta", presente  em metodologias ágeis, contribui para identificar e ajustar pontos de ineficiência no processo de entrega — o que, direta ou indiretamente, está relacionado , à redução do consumo de energia, de recursos. Em outras palavras: fazer mais com menos.

    Durante o nosso processo de desenvolvimento, inspecionamos e adaptamos continuamente diversas práticas. Mesmo que sejam mudanças pequenas ou rápidas, essas adaptações fazem parte da cultura do nosso time. No entanto, explorarei isso com mais profundidade no pilar de governança.

    Essas pequenas melhorias ocorrem  quando um membro do time levanta a mão em uma reunião ou em um dos nossos canais internos para questionar e propor melhorias sobre como realizamos determinada tarefa. Elas também surgem quando aproveitamos pequenas falhas  do processo para ajustá-lo, reduzindo ou eliminando riscos de recorrência. 

    Talvez o momento que mais exale a aura de melhoria contínua seja a nossa reunião de retrospectiva —  uma das cadências básicas do método Kanban. Se você ainda não está familiarizado com esse tipo de reunião, recomendo que conheça. E, como o próprio método Kanban sugere , experimente em um ambiente “safe-to-fail”,ou seja,  seguro para falhas e aprendizado.

    Essa a cerimônia, quando bem aproveitada, gera ótimos resultados em termos de eficiência e estrutura no processo. No nosso time, ela foi fundamental para estabelecermos:

    1. Um fluxo de trabalho consistente e compreendido por todos etapa a etapa;
    2. Etapas que aumentam a qualidade de entrega sem exigir esforço proporcionalmente maior;
    3. Automações de processos muito manuais,ampliando a previsibilidade e reduzindo o esforço necessário;   
    4. Troca e nivelamento de conhecimento entre os integrantes do time em cada parte do produto;
    5. Melhoria do processo de priorização, assegurando o foco nas iniciativas que realmente fazem sentido e evitando distrações.

    Esses são apenas alguns exemplos. Durante o seu processo de melhoria contínua, você certamente identificará —   no seu contexto, produto ou serviço —  os pontos relevantes que tornarão suas entregas mais eficientes.

    Ainda que seja difícil mensurar diretamente o impacto dessas melhorias no consumo de recursos, parto do princípio de que, ao gerirmos melhor a eficiência de um processo, fazendo mais com o mesmo e investindo tempo, esforço e outros recursos para o que realmente importa, estamos contribuindo para o uso mais inteligente dos recursos. No nosso caso, em  tecnologia, isso pode significar otimização de processamento em cloud — o que resulta, diretamente, em menor uso de recursos computacionais.

    Governança - transparência e auto organização

    Outro pilar fortemente presente em modelos ágeis está relacionado à transparência e à colaboração. O método Kanban por meio de seus pilares e princípios, fornece suporte concreto  nesse sentido.

    Tornar o trabalho em andamento visível, assim como as regras e políticas do processo  é essencial para incentivar um ambiente mais participativo e colaborativo — tanto na construção do produto ou serviço quanto no processo de melhoria contínua.

    Na nossa experiência, alguns elementos são essenciais para que isso aconteça:

    1. Ter cada etapa do processo definida e compartilhada com todos, de modo que cada integrante compreenda o que ocorre em cada etapa e quem é responsável
    2. Representar visualmente o trabalho em progresso — o que, no Kanban, é feito por meio do quadro Kanban, simples e altamente visual;
    3. Utilizar sinalizações, com cores ou etiquetas, para indicar informações importantes à tomada de decisão (exemplo: prioridade, categoria, produto relacionado);
    4. Tornar visível quem está atuando em cada item — não com o objetivo de microgestão, mas para facilitar trocas e colaborações entre membros do time;
    5. E, algo em que ainda temos espaço para evoluir, o uso de métricas relacionadas ao trabalho entregue e em andamento. Há uma frase que gosto muito: “o que não se mede, não se gerencia”. Por isso, trabalhar com dados nos proporciona ferramentas mais sólidas para agir.

    O acesso à informação, impulsionada pela liberdade para participação ativa, estimula autonomia e autogestão. Com isso o processo é visto e, de certa forma, auditável por todos os membros da equipe.

    Mais uma vez, mesmo sem mensurar numericamente o impacto de um processo mais participativo na governança do time, acredito que esse tipo de prática contribui para um ambiente mais inclusivo e colaborativo —  partindo da premissa que todos têm o mesmo nível de informação e, portanto, as mesmas condições de contribuir para a melhoria contínua.

    Conclusão

    Ao adotar práticas ágeis, como as do Método Kanban, equipes e empresas não apenas aumentam sua eficiência, mas também contribuem para os pilares do  ESG em vários níveis.

    Uma coisa são os números e os relatórios —um desafio real que muitas empresas enfrentam, e para o qual soluções e parceiros como a DEEP oferecem suporte valioso.  Outra coisa é entender que, por menor que seja a nossa ação, mesmo que não se reflita com precisão nos indicadores ESG, estamos contribuindo para um uso mais eficiente de energia e recursos simplesmente ao tornarmos o nosso trabalho melhor. E vejo isso claramente presente nas abordagens ágeis.

    REFS: Kanban University Guide - https://kanban.university/kanban-guide

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